O que aconteceu com a carreira dos professores do Estado de São Paulo?

 Sou professora de arte no Estado de São Paulo há 13 anos, e, só me efetivei em 2025 porque passou-se 10 anos sem ter concurso para isso. 

Fiquei feliz porque um professor efetivo, teoricamente, teria uma carreira mais sólida e, com alguns direitos assegurados, o que, demais professores infelizmente não têm.

Mas, qual não foi minha surpresa este ano de 2026 que preferi deixar a PEI (Programa Ensino  Integral), que estava me consumindo (excesso de exigências, pouco tempo para preparar aulas, excesso de aulas, cerceamento à criatividade do professor com materiais engessados, etc...) para ir para a escola Regular, que, teoricamente me deixaria com um pouco mais de tempo livre para minhas artes. Desde que fui para a PEI não tive mais tempo para ler um livro, nem para escrever em meus blogs, que eu adoro, nem para pintar, nem para fazer esculturas, enfim, estafa total, vida sem graça!

Mas, o tiro saiu pela culatra! Já na atribuição tive um baque, pois não havia aulas suficientes  em uma única escola para que eu pudesse pegar minha carga completa. Fui obrigada, sim obrigada, porque não me deram opção, a pegar o que tinha ou seja: irei lecionar em 4 escolas bem distantes de minha casa. Muito diferente da situação anterior. Em uma escola irei à noite para dar uma única aula. Em outra atravessarei 2 cidades para dar 3 aulas. Ou seja: Pagarei para trabalhar.

Nem mesmo no início de minha carreira, sem nenhuma pontuação, fui obrigada a algo tão esdrúxulo! 

A sensação que fica é que minha carreira foi ladeira abaixo... E foi, porque no computo de minha pontuação caí da posição 120 no ano anterior para 333 neste ano, porque não consegui fazer, por uma série de motivos, o curso do Multiplica, que além de tudo, era obrigada a fazer depois das minhas 9 horas de trabalho. No segundo semestre fiz um esforço e sacrifiquei um tempo de meu descanso para poder fazer o curso. Mas, fui reprovada, porque tive 3 faltas. Uma porque não conseguia entrar, pasmem, o link da aula não podia ser disponibilizado pelo Whatsapp (até hoje não entendi porque abriu-se o grupo, então) e o link estava tão escondido dentro do Teams que ninguém achava. A segunda falta, não vou mentir, esqueci mesmo, e a terceira falta estava no hospital com sintomas de dengue (e era dengue mesmo), mas não aceitaram o atestado, por isso me reprovaram,  mesmo tendo assistido às demais aulas, feito e entregue todas as tarefas e, ganho o prêmio do curso, disputado entre 75000 trabalhos entregues. Entre esses fiz parte  dos 0,4% escolhidos... Ou seja, este curso contava com peso de 20% dentro da pontuação, e meu diploma de licenciatura, meu curso de especialização e meu diploma de mestrado que entreguei no ano de 2025, só valeram 0,1%. 

A minha pergunta é: Quais as intenções por trás de tanta desvalorização do professor, tanta opressão, tanto autoritarismo?

Não sei a resposta, ainda. Mas, poderemos dá-la, este ano, no mês de outubro nas urnas! Viva a democracia!

E, pensar que tem professor que não entendeu, ainda, que está sendo oprimido!

Mas, isso não é novidade! Desde os anos 1577, Éttienne de la Boétie, alertava a população em seu "Discurso da Servidão Voluntária", que publicamos um trecho no próximo post, a quem se interessar. Mas, leia o próximo post até o final, pois lá se encontra outro grande problema que estamos vivendo.

                                  Imagem, gentilmente cedida pelo Free!pk


Comentários

  1. É isso mesmo...todos nós professores estamos esgotados e decepcionados com o comportamento deste governo!Acabou com a educação do Estado de São Paulo.

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    1. Precisamos nos mobilizar porque tem professor que não consegue enxergar nada disso.

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  2. O professor vive tempos sombrios. Cala-se por medo e quando questiona é punido. O sucateamento da profissão se mostra como projeto para a propagação da ignorância.

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    1. Realmente são muitas questões. Hoje completei o post. Mas, por favor, leia até o fim dele, pois está lá um grande problema que temos. Claro que estou chovendo no molhado, mas se não tivermos esperança, o que será de nós?

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  3. Esse ano é o ano da mudança, se todos os professores quiserem mudar, a hora é agora, chega de Tarcísio/feder humilhando os professores. Ou trocamos eles ou eles trocam todos os professores.

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    1. Precisamos tentar alcançar o maior número de pessoas, para não corrermos esse risco

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  4. Estou na mesma situação. Sai do PEI, e me obrigaram a pegar aula em 3 escolas.

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    1. Pois é. O tempo que pensamos que teríamos para nós, foi para o espaço.

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  5. Estamos decepcionados com as atitudes deste governo ordinário.

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