DISCURSO DA SERVIDÃO VOLUNTÁRIA
- O Dr. Leandro Karnal praticamente ressuscitou nosso conhecimento sobre Étienne de La Boétie, (1530-1563) que, apesar de ter falecido com apenas 32 anos, deixou muitos escritos, e, entre seus 16 e 18 anos, escreveu um livro cujo título é o mesmo deste post.
- Escrevemos no post anterior sobre a decadência na carreira do professorado paulista e mencionamos que isso poderá ser facilmente modificado nas eleições que teremos em outubro deste ano. Mas, mencionamos, também, que uma parte dos professores, mesmo sofrendo, acham que não devem se rebelar, nem tampouco mudar a servidão.
- Por isso, resolvemos publicar um pequeno excerto do livro, que se encontra na página 24.
- "Gostaria somente de entender porque tantos homens, tantos burgos, tantas cidades e tantas nações suportam às vezes, um tirano só, que não tem mais poder do que o que lhe dão, que só pode prejudicá-los enquanto quiserem suportá-lo , e que só pode fazer-lhes mal, se eles preferirem tolerá-lo a contradizê-lo.
- Coisa realmente admirável, porém tão comum, que deve causar mais lástima que espanto, ver um milhão de homens servirem miseravelmente e dobrar a cabeça sob o jugo, não que sejam obrigados a isso por uma força que se imponha, mas porque ficam fascinados e, por assim dizer, enfeitiçados somente pelo nome de um, que não deveriam temer, pois ele é um só, nem amar, pois ele é desumano e cruel com todos.
- Na página 28, continua:
- Não é preciso combater nem derrubar esse tirano. Ele se destrói sozinho, se o país não consentir com sua servidão. Nem é preciso tirar-lhe algo, mas só não dar-lhe nada. O país não precisa esforçar-se para fazer algo em seu próprio benefício, basta que não faça nada contra si mesmo. São, por conseguinte, os próprios povos que se fazem maltratar, pois seriam livres se parassem de servir. É o próprio povo que se escraviza e se suicida quando, podendo escolher entre ser submisso ou ser livre, renuncia à liberdade e aceita o jugo; quando consente com seu sofrimento, ou melhor, o procura".
- Bem, apesar da atualidade do texto, mesmo após 460 anos, na situação específica do post anterior, temos que considerar alguns agravantes, como por exemplo, o poder que o Estado de São Paulo atribuiu aos diretores de escola nos últimos anos. Hoje, em algumas escolas as atribuições aos professores não seguem a normalidade de contratar-se os que estão melhores classificados pela sua competência e grau de instrução, anos de trabalho na educação, mas sim, aqueles a quem a direção indicar. E isso amparado por editais. Ou seja, transformou-se em privado o que é público. Deixando esse poder todo nas mãos da direção desconsidera-se os direitos adquiridos pelos professores durante sua carreira no magistério e faz-se uso da subjetividade, podendo, então, ser contratado aquele que melhor se relaciona com a direção.
- Assim como está, também, nas mãos da direção o direito à permanência do professor na escola. Muitos viveram essa triste experiência nesse governo atual. Os que não saem por vontade própria após as inúmeras pressões, são desligados automaticamente. Isso não é novidade nenhuma aos professores, só deixo registrado aqui, com a vã esperança de que alguém que leia possa fazer alguma coisa por nós. Possa repensar suas posições diante de nossa capacidade de mudar as situações.
BOÉTIE, Éttiene de La. Discurso da Servidão Voluntária. Ed. São Paulo: Martin Claret, 2017.


Lamentável magistério. Do sonho de mudar o mundo aos entraves da BURRocracia. O magistério já foi o glamour em outrora, hoje sinônimo de desespero. Não é a toa que já falta professores especialistas na maioria das escolas brasileiras e o MEC já têm criados algumas políticas públicas na intenção de reverter o apagão previsto para 2.030. Percebe se uma movimentação por parte de alguns governantes melhor intencionados, no entanto quem frequenta o chão das salas de aula conhece a triste realidade de que a intenção dos estudantes passam longe dessa nobre profissão. Aos guerreiros que ainda lutam por uma educação de qualidade e ainda sobrevive o caos das escolas brasileiras meus sincero reconhecimento. O Brasil morre lentamente com o sucateamento da educação e ao menosprezo dos seus mestres e a sociedade quem pagará o maior preço.
ResponderExcluirTemos que tentar mobilizar o maior número de pessoas possível para sairmos dessa situação
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