FEIJOADA DO EXPEDITO PAZETO PARA 15 PESSOAS
Com a chegada do outono e aproximando--se do inverno, republico aqui este post
Expedito, meu pai, foi um cozinheiro de mão cheia como se diz por aqui. Se ele quizesse poderia ter ganho muito dinheiro com isso!...Mas, ele não queria compromisso! Todo mundo que o conhecia, depois de comer sua comida, já ia logo convidando-o a abrir um restaurante... Mas, ele logo desconversava porque o que queria mesmo era ter o tempo disponível para o que lhe desse na telha...
Mas, ele adorava cozinhar para os amigos e para a família!...Não poupava esforços para oferecer o melhor!
E de todos os seus melhores, sua feijoada foi TOP. Uma temporada um amigo dele o convenceu a fazer, durante um período, feijoadas em seu restaurante...Vinha gente da redondeza toda para comer!
Um dia, conversando com um cliente meu que queria que lhe mostrasse imóveis no fim de semana, eu lhe disse que não poderia porque iria passar o final de semana em Ipeúna.
Ele, que nunca tínhamos nos visto antes, me disse: Ah, Ipeúna?!...Estive uma única vez lá, prá comer uma feijoada famosa!...Nunca comi uma feijoada igual.
Então comecei a rir e lhe contei quem fazia aquela feijoada!...Ah, não corre o risco de ser outra, porque só tinha aquele restaurante na cidade àquela época.
Bem, aqui vai então a receita para 15 pessoas.Dá prá servir fartamente e ainda sobrar um pouco.
Desculpem-me os leitores que entraram aqui apenas pela receita mas não consigo ve-la apenas como um prato que irá alimentar. Gosto sempre das Histórias que as motivam.
2 Kg de feijão preto
1 1/2 kg de carne seca
1kg de costelinha de porco defumada
2kg de pé de porco
2 kg de joelho de porco
800 gramas de bacon
1 kg de orelha e rabo de porco
1 1/2 kg de linguiça calabresa
1 1/2 kg de paio
folhas de louro ( +ou - 6 folhas)
2 cebolas picadas
Bem, é aparentemente uma receita muito simples de se fazer, mas, como toda receita, tem seus segredinhos e acho que o maior deles é o tempo de cozimento dos ingredientes separadamente e junto com o feijão.
Primeiramente deixar de molho na água os ingredientes salgados ( carne seca,orelha, rabo, joelho, pé) tudo separado. Destes ingredientes, os que não forem salgados, convém temperá-los com sal, pimenta e alho e reservar.
Deixe de molho por algumas horas, também o feijão.
Cozinhe a carne seca por uns 20 minutos. Retire, mesmo que ainda esteja dura. Cozinhe os outros ingredientes salgados. Para aqueles que não estavam salgados, e que foram temperados, da-se uma fritada de leve, uma selada, como se diz um bom gourmet. É muito importante que se cozinhe pouco nesta etapa, pois depois eles terminarão de cozinhar junto com o feijão. Nesta etapa reserve tudo e cozinhe o feijão. É importante cozinhar o feijão em uma panela normal e não na pressão.
Deixe o feijão até que ele comece a amolecer, mas não deixe cozinhar demais. É importante que ele passe um bom tempo junto com os outros ingredientes depois.
Bem, agora você já pode juntar os ingredientes pré cozidos ao feijão, acrescentar as folhas de louro e deixá-los cozinhando. Depois de uns 20 minutos, pode acrescentar também a costelinha, as linguiças e os paios.
Paralelamente pique o bacon e frite-o numa panela à parte. Junte as cebolas picadas. Retire a gordura excedente e acrescente à feijoada. Deixe cozinhar até que tudo esteja mole, mas não desmanchando.
Evite o máximo possível de mexer. Mas tome cuidado para não grudar na panela. É um processo de atenção e delicadeza, pois você pode por tudo a perder nesta etapa. Por isso cuidado!
ATENÇÃO: EM NENHUM MOMENTO COLOQUE SAL, POIS É MUITO PROVÁVEL QUE O SAL DOS INGREDIENTES SERÁ SUFICIENTE. SÓ NO FINAL É QUE SE ESTIVER INSOSSO, ACRESCENTE, MAS ISSO É QUASE IMPOSSÍVEL QUE ACONTEÇA.
OUTRA COISA: Mesmo que você não goste de pé, joelho, orelha, rabo, coloque, mesmo assim, pois serão estes ingredientes que farão o diferencial! Pode confiar!
Faça à parte um refogado com 45 folhas de couve.
Faça uma farofa de bacon para acompanhar.
Sirva com arroz branco e laranjas descascadas e servidas ao lado do prato de feijoada. Para estas 15 pessoas pode fazer umas 6 xícaras de arroz. Vai sobrar, mas é melhor que faltar.
Expedito Pazeto - Foto tirada na Encruza dos Rios Pardo e Grande em Planura- Minas Gerais em 14/11/1976

Querida Amiga!
ResponderExcluirComo estou emocionada!
Escreves e descreves tão bem toda essa saudade, que é muito fácil participar dessa vivência! Sinto-me aí, no teu ambiente, a recordar coisas que não vivi e a saborear essa magnifica feijoada! E como essa "sincronicidade" com o teu cliente foi de encher a alma!
Aqui e graças aos brasileiros que chegaram cá nos últimos anos, há muitos restaurantes que oferecem essa iguaria, que eu adoro! No entanto são apenas "amostras"...e... quando voltar a comer as de cá, vou estar sempre a imaginar essa, feita pelo senhor Expedito Pazeto!
Bem-hajas por alimentar a minha imaginação!
Beijo!
Belisa
Amiga
ResponderExcluirComo eu gostaria de estar preparando para você também esta iguaria! Mas, tenho fé que este dia chegará! Apenas que precisa ser no inverno, pois nosso verão aqui, não permite comer prato tão caloroso e calórico rsrsrsrsrs
O que Belisa escreveu foi um carinho. Obrigada Belisa, me emocionou!
ResponderExcluirEsta foto do nosso Suquinho de Caju eh muito linda, mostra bem a pessoa alegre que foi, como sinto falta.
Vamos nos aprmorar nessa feijoada minha mae, dom nos herdamos.
Bjks
Ah que saudade desse vozinho, meu Deus... desculpem minhas queridas, mas feijoada pra mim nunca mais ter'a o mesmo gosto.
ResponderExcluirMinhas queridas! Temos saudades sim, mas tenho certeza que o vô vai ficar triste se deixarmos de fazer alguma coisa por que nos lembramos dele. Próxima feijoada será na minha casa com a presença de todos. Logicamente, que a feijoada será feita pela Dona Bete e por mim. Huuummmm, pode confiar! Tamo mandando bem na cozinha, kkkk.
ResponderExcluirObrigada filha, por todo carinho!
ResponderExcluirTe amo!
Não faça feijoada até as férias, prá não enjoar, pois quero fazer outra quando vocês vierem!
Beijos
Minha Linda
ResponderExcluirAno passado fiz uma feijoada, com o coração muito apertado, e um nó na garganta.
Mas, este ano, fiz com tanta alegria, como se ele estivesse ali junto com a gente.
Pergunta prá sua mãe, a alegria que eu estava. Talvez por estar ali, junto com ela, pois como você sabe, adoro cozinhar junto com sua mãe, temos uma sintonia maravilhosa, e quando estamos juntas, pelo menos de minha parte, recarrego minhas baterias.
E fazer esta feijoada, para toda esta família linda ( nossa e do Vanderley), encheu meu coração de alegria.
Coma esta nossa feijoada com esta mesma alegria, meu anjo, pois pode ter certeza, que onde o vô estiver, ficará feliz em ver os frutos que ele plantou entre nós.
Beijos
Te amo muito! E o Skedud também!
Minha irmã
ResponderExcluirAcabei de falar prá Má, da alegria que senti em fazer esta feijoada junto contigo!
É sempre muito bom estar aí, o seu carinho, o carinho da mãe, sinto-me renovada e fortalecida.
Obrigada por tanta coisa boa que você nos dá!
ResponderExcluirPra mim tambem é sempre muito bom quando estamos reunidas. Tambem me fortalece e aproveito pra tomar umas aulas. Acho que herdamos do pai essa vontade de cozinhar, então não podemos deixar isso de lado, não é?
É incrível como estamos sempre falando do vô em doces e alegres lembranças, mas como uma imagem, no caso essa linda, LINDA foto do vô, faz aflorar toda a saudade esmagadora, dolorida q sentimos dele, saudade esta q no dia-a-dia fica guardada bem lá no fundo do coração, adormecida...
ResponderExcluirAmo esse vô! E é muito dura essa saudade! Que ela volte pro seu cantinho, e adormeça novamente, pra q a vida siga seu caminho...
... Ah, e quanto a feijoada... me pareceu tão trabalhosa! Não lembro de todo esse processo! Só consigo lembrar das tais 12 horas de fogo baixíssimo, sob o panelão da feijoada completa!
Beijos, amo todas vcs.
São sei se comento o amor do seu pai pelas pessoas ou se comento a receita feita com amor...
ResponderExcluirPois é João, além do capricho na escolha dos ingredientes, a feijoada dele sempre vinha carregada da alegria em poder, com aquele prato,transmitir seu amor às pessoas que iam dele desfrutar. Era realmente uma forma que ele tinha de dizer às pessoas que as amava, já que não era dado em dizer com as palavras, como a maioria dos homens, aliás. E essa maneira de se expressar não deixava dúvidas, por mais estranho que isso possa parecer.
ResponderExcluirMas, você o conheceu?
Que maravilha a história dessa feijoada! Cozinhar é assim mesmo, mexe com a emoção das pessoas e estreita as relações.
ResponderExcluirÉ verdade! Eu me empolgo tanto com esse fato que criei um blog só para isso. Para todos que desejem contar suas histórias e suas receitas que tem história. Você não gostaria de participar?
ResponderExcluirDá uma olhadinha lá e se gostar te envio o convite.
http://agentecomelaemcasa.blogspot.com
Minha linda Bettte quantas saudades! De vez em quando passo pelo meu bloguinho para matar saudades e encontro sempre uma palavra de alguém querido. Desta vez foi a Bette. Estou mais no facebook mas acho que muito e breve volto ao blog porque aqui há mais intimidade, ninguém estranho entra na nossa página e comenta ou se intromete. Estou no face "Adelia Rodrigues " tem a minha foto e uma dao lado de uma das minhas flores preferidas, uma flor de hortensia. Um beijinho grande para si minha amiga querida.
ResponderExcluirQuerida Adélia
ResponderExcluirSinto saudades do tempo que trocávamos nossas percepções através dos blogs. Acho bem diferente do Facebook onde as pessoas querem apenas ser vistas e mostrar suas vidas deslumbrantes. Através de nossos blogs conheci pessoas maravilhosas como você, e sinto falta desta interação mais intensa. Hoje escrevo menos também, porque daquele tempo prá cá mudei até de profissão. Imagine, nesta idade mudar de profissão kkkk! Fui fazer faculdade, fiz pós graduação e hoje dou aula de artes nas escolas públicas daqui de Americana e região. Mergulhei tanto nisso que pouco tempo sobra para qualquer outra coisa. Mas sempre que posso, escrevo aqui, pois este é o meu blog do coração. Hoje vivo cheia de projetos, embora poucos tenha colocado em prática, pois, infelizmente, esta minha terra não patrocina os pequenos. Um destes projetos me rendeu mais um blog(kkkkk) que gostaria de convidá-la a participar. Veja lá se você gosta e se interessa. Chama-se "A gente come lá em casa", embora pareça um blog de receitas ( e é também), mas é mais que isso, é um resgate afetivo através das receitas. https://agentecomelaemcasa.blogspot.com
Estava eu a matutar uma nova procura para uma receita de feijoada para 15 pessoas. Procurei no Google e deparei com algumas. Não sei o porquê, abri na sua pagina. Sua introdução me emocionou. Fiquei com ela. Sim gosto de cozinhar para a familia tambem. E sou sentimental. E a foto de 1976, foi o ano que vim para Ribeirão Preto.
ResponderExcluirJogo feito, pano rápido. Um abraço.
isso em junho de 2019
Jairo, tomara que sua feijoada tenha ficado tão boa quanto a de meu pai, que é inesquecível! Depois que ele se foi a feijoada já não me dá mais prazer, mas um nó no estômago e choro sempre que leio este post.
ResponderExcluirTenha certeza que todo esse carinho que você põe em seus pratos também emocionam sua família e se perpetuarão. Gosto dessa ligação sentimental com os pratos. Tanto que criei um blog só para contar suas histórias. Na verdade é um projeto que ainda pretendo fazer funcionar, e, acredito que o dia está chegando. Veja lá, e se te interessar envio o convite para você participar https://agentecomelaemcasa.blogspot.com
Obrigada pela visita e pela mensagem
Vim aqui pela receita, mas ver teu pai na foto tão feliz não tem preço..encheu meu zóio dágua! ,
ResponderExcluirObrigada pela visita e pela emoção!
ResponderExcluirQuerida vizinha,
ResponderExcluirNão pela receita que dever ser deliciosa, mas pela memória afetiva que ele deixou para passar por todas suas gerações, sinto felicidade em ver ela publicada por você com tanto ❤️ carinho e amor.
Karina
Melhor feijoada q comi, isso sem levar em conta os peixes, arroz com codorna (que molho incrível) até a caipirinha era uma delícia. Saudades do meu companheiro
ResponderExcluirEsta semana foi aniversário dele. Se estivesse vivo faria 91 anos. Muitas saudades.
ResponderExcluirObrigada Karina por ter tido o carinho de ler a história toda. Quando escrevi este post, foi numa época em que as pessoas gostavam de ler e sentir as emoções que uma leitura pode nos proporcionar. Hoje são tão poucos os que se "permitem" ler e sentir.
ResponderExcluirChoro novamente, relendo esse post.
ResponderExcluirQuanto amor traduzido em comida, em momentos... e eternizado nessas palavras! Te amo, mãe
Nada disso será esquecido! Que bom que podemos chorar de emoção! Que bom que temos tantos motivos para chorar de emoção!
ResponderExcluir